FILOSOFIA

Os conceitos filosóficos, as funções científicas e as sensações da arte, através da educação.

Prof. Dr. Narciso Luiz Gomes (1953|2016)

Fundador do Colégio Objetivo de Matão

1. Conceitos Filosóficos

O conceito diz o acontecimento, não a essência ou a coisa, o conceito define-se pela inseparabilidade de um número finito de componentes heterogêneos percorridos por um ponto em sobrevoo absoluto à velocidade infinita.

 

Parmênides mostra quanto Platão é mestre do conceito. O uno tem dois componentes ( o ser e o não ser ), fases de componentes ( o uno superior ao ser, igual ao ser, inferior ao ser); ( o uno superior do não ser, igual ao não ser ), zonas de indiscernibilidade ( com relação a si, com relação aos outros). Logo é um modelo de conceito.

É inútil atribuir conceitos à ciência, mesmo quando ela se ocupa dos mesmos `´objetos´´, não é sob o aspecto do conceito, não é criando conceitos.

 

O conceito pertence a filosofia e só a ela pertence. Um exemplo era Spinosa, talvez o único a não ter aceitado nenhum compromisso com as transcendência, a tê-la expulsado de todos os lugares, logo a verdade é somente o que o pensamento cria. A filosofia é devir, não história; ela é coexistência de planos, não sucessão de sistemas – Devir não é ser.

 

Em Matão (SP) começamos a arranhar o que significa incluir ( através da educação ) em nossos jovens alguns conceitos filosóficos que necessariamente mudará a relação do EU que pensa e o objeto pensado, sairemos do marasmo da tradição e entraremos num mundo aberto a discussão  do real, da valorização da pesquisa, da consciência de que sempre erramos e que a verdade é inútil.

 

O movimento socrático da hermaneutica , recusará o matonense ultrapassado e lançará um novo homem, o homem instrumental, capaz de entender o que ocorre ao seu redor e no mundo, em síntese, o matonense não sofrerá mais a sua história e sim mudará com sua história.

 

2. Funções Científicas

 

A Ciência não tem por objetos conceitos, mas funções que se apresentam como proposições nos sistemas discursivos. A ciência não tem nenhuma necessidade da filosofia para suas tarefas.

A filosofia procede por um plano de imanência ou de  consistência; a ciência  por um plano de referência e proposições.

 

Dir-se-ia que a ciência e a filosofia segue duas vias opostas, porque os conceitos filosóficos tem por consistência acontecimentos ao passo que as funções cientificas tem por referência estados de coisas ou misturas. Mas também há criação em ciência tanto quanto na filosofia ou nas artes. Nenhuma criação existe sem experiência.

O fundamento de uma relação entre ciência e filosofia de um lado, a arte do outro, de tal maneira que se pode dizer de uma função que ele é bela, de um conceito que ele é belo. Tantos as percepções quanto as afecções especiais da filosofia ou da ciência se ligarão necessariamente aos perceptos e afetos da arte.

Confundindo os conceitos com funções, a lógica faz como se a ciência se ocupasse já com conceitos ou formasse conceitos de primeira zona, mas ela própria deve dobrar as funções científicas com funções lógicas, que se supõe, formam uma nova classe de conceitos puramente lógicos, ou de segunda zona.

É um verdadeiro ódio que anima a lógica, na sua rivalidade ou sua vontade de suplantar a filosofia. Ela mata os conceitos duas vezes, todavia o conceito renasce porque não é uma função cientifica e porque não é uma proposição lógica: ele não pertence a nenhum sistema discursivo, não tem referência. "O conceito se mostra e nada mais faz que se mostrar". "Os conceitos são monstros que renascem de seus pedaços."

"O conceito é uma forma ou uma força, jamais uma função em qualquer sentido possível"..

Em resumo, não há conceitos senão filosófico, e as funções cientificas ou as proposições lógicas não são conceitos.

É por isso que, quando Bergson diz que entre dois instantes, por mais próximos que sejam, há sempre tempo, ele ainda não saiu da domínio das funções e somente introduz nele um pouco do vívido. Não mais é o tempo que está entre dois instantes, é o acontecimento que é um entre-tempo: o entre-tempo não é eterno, mas também não é tempo, é devir.

Todos os entre-tempos se superpõem, enquanto os tempos se sucedem. O conceito tem uma potência de repetição, que se distingue da potência discursiva da função.

 

3. As sensações da arte

A obra de arte é um ser de sensação e nada mais: ela existe em si. A arte é a linguagem das sensações, que faz entrar nas palavras, nas cores, nos sons ou nas pedras. A arte não tem opinião.

 

4. A Filosofia, a Ciência e a Arte

O que define o pensamento, as três grandes formas do pensamento é sempre enfrentar o caos, esboçar um plano sobre os caos.

Mas a filosofia quer salvar o infinito, a ciência, ao contrário, renúncia ao infinito para ganhar a referência: ela traça um plano de coordenadas somente indefinidas, que define sempre estado de coisa, funções ou proposições referenciais, sob a ação de observadores parciais.

A arte quer criar um infinito que restitua o infinito: traçar um plano de composição que carrega por sua vez monumentos ou sensações compostas, sob a ação de figuras estéticas.

Pensar é pensar por conceitos, ou então por funções ou ainda por sensações e um desses pensamentos não é melhor que um outro, ou mais plenamente, mas completamente, mais sintetizamente "pensado".

As molduras da arte não são coordenadas cientificas, como as sensações não são conceitos ou o inverso.

Os três pensamentos se cruzam, se entrelaçam, mas sem síntese nem indefinição. A filosofia faz surgir acontecimentos com seus conceitos, a arte ergue monumentos com suas sensações, a ciência constrói estados de coisas com suas funções.

Nossas opiniões são feitas para expressar tudo, mas a arte, a ciência, a filosofia exigem mais: traçam planos sobre o caos. "O Filosofo, o Cientista, o Artista parecem retornar do país dos mortos". O Filósofo traz do caos as variações, o cientista as variáveis e o artista as variedades. O que seria pensar se não comparasse sem cessar com o caos? A junção ( não a unidade ) dos três planos é o cérebro "O homem pensa e não o cérebro".

A filosofia, a arte, a ciência não são os objetos mentais de um cérebro objetivado, mas os três aspectos sobre as quais o cérebro se forma sujeito.

É o cérebro que diz EU, mas eu é um outro ( não há transcendência) e este eu não é apenas o "eu concebo" do cérebro como filosofia e também o "eu sinto" do cérebro como arte.

Não são ideias que contem planos pelo conceito, mas os elementos da matéria, por sensação. Cabe pois a ciência por em evidência o caos, no qual mergulha o próprio cérebro, enquanto sujeito do conhecimento.

Os três planos são tão irredutíveis quanto seus elementos: plano de imanência da filosofia, plano de composição da arte, plano de referência da ciência, forma do conceito, força da sensação, função do conhecimento: conceitos e personagens conceituais, sensações e figuras estéticas, funções e observações parciais. A filosofia ensina-nos a conceber e a ciência a conhecer.

Se conseguirmos ajudar o homem matonense para esses três planos, sem dúvida alcançaremos a um grau de civilidade que nos possibilitará vivermos  em sociedade e provocará em nós pelo menos a responder uma questão fundamental da civilização grega "A vida vale a pena ser vivida".

Leituras

Gilles Deleuze e Feliz Guattari – o que é a filosofia ? , editora 34 Coleção Trans, 2004.

Gilles Deleuze

Lógica do Sentido , São Paulo, Perspectivas, 1974.

Conversações, Rio de Janeiro, editora 34 , 1992.

Felix Guattari

As três Ecologias, Campinas, Papirus, 1990.

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